FALANDO SEM PALAVRAS É POSSÍVEL? O CRESCIMENTO DA FALTA DE TOLERÂNCIA

Sou uma pessoa completamente inconformada com as coisas, inquieto eu até diria, e de uns tempos pra cá mais ainda, não sei se pela idade ou pela experiência adquirida – acho que de ambos – porém tenho visto muitas expressões de intolerância no meu dia a dia, e posso dizer que além de me assustar me causa certa curiosidade.

Seja no caminhar no parque, seja nas compras de supermercado, nos seus corredores de produtos, pessoas se esbarrando, mal-humoradas, caixas e atendentes com expressões de cansaço ou de insatisfação, motoristas apressados, pessoas desligadas e apáticas ao mundo com seus celulares atravessando as ruas, pais que não prestam atenção aos seus filhos, olhares perdidos, olhares sem esperança e outros exemplos de total intolerância com o próximo e com o mundo em si.

Muito falamos de comunicação, e em minhas palestras quando peço um exemplo, ou até mesmo uma explicação da plateia sobre comunicação, 90% – para não ser generalista – normalmente dá exemplos de como falar, de colocar as palavras certas, de ser assertivo e por ai vai, porém esquecemos que 75% de nossa comunicação é não verbal.

Apesar das pessoas pouco se comunicarem com palavras, e menos ainda de criarem conexões reais com o mundo a sua volta, evitando relacionamentos e contatos, nos esquecemos que nossas ações, atitudes e comportamentos expressam nossos sentimentos e emoções, mais que a comunicação verbal.

É perceptível nos rostos a completa falta de intolerância para com o próximo e com o mundo que o cerca gerando constantemente uma comunicação violenta e individualista, levando ao afastamento e completo isolamento do ser humano.
O engraçado e curioso disso tudo, é que uma das primeiras necessidades do ser humano, desde seus primórdios é a conexão social, o pertencimento e principalmente o agrupamento coletivo da espécie.

Aprendemos com a troca de conhecimentos, experiências e nos relacionamentos, criamos nossa realidade a partir das realidades dos outros e decidimos com base nas perspectivas e opções que criamos através da comunicação, da conexão e da empatia, gerando mais clareza, consciência e presença com o mundo que nos cerca.

Se, isto é, fato e verdade, e foi a base de construção da evolução humana e das sociedades, o que estamos comunicando sem palavras atualmente?

Se, mesmo sem palavras, apenas pelo nosso comportamento e atitude, demonstramos, raiva, medo, intolerância, descontentamento e outras expressões violentas, o que deixamos claro e compartilhamos, é que a única opção e perspectiva que temos é a intolerância com tudo e com todos, sendo assim, só resta ao próximo replicar este comportamento e assim por diante.

“não se comporta indecentemente, não procura os seus próprios interesses, não se irrita com facilidade. Não leva em conta o dano.” – Coríntios 13:5

Não quero dizer que todos devem alegremente e de forma boba e leviana, sair por aí demonstrando felicidade plena e gratidão, porém é preciso que nos tornemos responsáveis pelos nossos comportamentos e atitudes, com nossas emoções e sentimentos, sendo coerentes com o que desejamos e com nossa real intenção.

É claro que o próximo, não sabe minhas dores, medos e angústias, porém ele pode ser a conexão que falta para minhas soluções, pode ser a experiência que necessito, pode ser o relacionamento e o conhecimento desejado e para isso preciso permitir de forma consciente que estou preparado para tolerar e entender com empatia o outro.

É preciso parar de reagir por instinto e por hábito e de forma responsável responder de forma assertiva e afetiva ao mundo que no cerca.

Se comunicar de forma não violenta não é necessariamente, sorrir o tempo todo, falar palavras bonitas e encantadoras e dar adjetivos positivos, mas sim se permitir e ter a real intenção de forma coerente em se conectar, gerar empatia, tolerar, ter mais clareza e consciência, mais presença e se libertar das crenças e preconceitos, é se comunicar sem gerar suposições e conjecturas e principalmente com menos conflitos.

Texto publicado originalmente na minha página de artigos e publicações, toda sexta feira.

Adriano Levy
Palestrante, Talker, Executive & Life Coach, Analista Comportamental DiSC e Analista ASSESS, Consultor, Mentor, Empreendedor, Analista de Sistemas, Analista de Negócios, Graduado em Gestão da Tecnologia da Informação. Certificado pela SLAC Coaching – Sociedade Latino Americana de Coaching, AC – PECC – Professional Executive Coach Certification, EMCC – PECC – Professional Executive Coach Certification, IAC – Certifies in PECC – Professional Executive Coach Certification e PCA – PECC – Professional Executive Coach Certification. Trata principalmente os assuntos relacionados a empreendedorismo tradicional e social inclusivo, Startups, Comunicação Interpessoal e não violenta, desenvolvimento de líderes e liderança, autodesenvolvimento pessoal e profissional. Já realizou diversos workshops e palestras e é idealizador e criador do Curso Real Leadership Experience além de diversas oficinas e cursos.

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